terça-feira, 9 de junho de 2009

Tinta Fresca

I can hear it callin' me back home...

Em uma época tão quente assim, não era de se espantar que enlouquecesse. Não era de se espantar que fosse esperar para enlouquecer. Não era novidade. O mundo dançava ao contrário, e molhava a tela. A tinta vermelha escorria sangue, manchando o céu azul, manchando o mar azul. Manchando a sombra da árvore, e manchando tudo mais a tinta vermelha escorria, e manchava e sujava e escondia aquele mundo de vermelho. Em um tempo tão quente, não era estranho que fossem como era. Não era de se estranhar que a loucura interior nos fizesse dançar, que nos consumisse por inteiro, que nos apagasse, ponto a ponto, como a tinta que ainda borra o quadro na sala.
Ainda escorria sangue, e por aqui ainda pingava do teto. Ainda escorria, e manchava e sujava. Ainda era sujo por aqui, naquela tela fresca de calor. Mas já não tinha tinta fresca por aqui.